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Fora da caverna

por Redação Bocado México

Maior consumidor de refrigerantes e bebidas açucaradas do mundo, o México começou a colocar em prática sua robusta lei de rotulagem, além de introduzir no currículo escolar uma inédita disciplina: “Vida Saudável”. Uma nova realidade em fotos, para ver, admirar e copiar.

Nunca mais a chamada “comida-porcaria” vai parecer inofensiva. Outras que aparentam ser saudáveis não vão conseguir esconder seus três selos, e até companheiros do dia a dia, como o café, quatro. No México, agora as gôndolas exibem o que antes era o lado oculto dos produtos: a informação é clara, verossímil e de rápida interpretação.

Antes da rotulagem frontal, o país já havia tentado dissuadir muitas vezes o consumo de ultraprocessados. Em 2014, proibiu sua venda em escolas e aprovou mais impostos sobre bebidas açucaradas, mas nenhuma medida pareceu ser suficientemente forte até agora, com a aparição dos octógonos negros.

Quando o pacote é muito pequeno para tanta advertência — como um chocolate ou uma caixinha de chicletes — o octógono se adapta: diminui de tamanho, mas avisa: o produto tem 2 selos, 3 selos, ou o que tiver de mostrar.

O México é o maior consumidor de refrigerantes e bebidas açucaradas do mundo. Em média, no país são consumidos 150 litros desses produtos per capita anualmente. Nos Estados Unidos, a média é de 100 litros e no resto do mundo é de cerca de 25 litros, de acordo com dados divulgados em 2019 pelo Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia do México. Em Chiapas, Estado que registra índices de pobreza e falta de água que atingem 76% da sua população, o consumo de refrigerantes é 32 vezes maior do que a média mundial. Chiapas é a campeã do consumo de Coca-Cola no planeta.

A rotulagem frontal teve início do México em 1º. de outubro. O contexto da pandemia influenciou a aprovação da legislação no país (com uma população marcada por elevados índices de diabete, obesidade e sobrepeso, como no Brasil), mas a decisão não foi tomada às pressas: organizações não governamentais e especialistas vêm lutando por isso há mais de uma década.

Em seu primeiro dia em vigor, pelo menos 30 grandes grupos entraram na Justiça para tentar evitar a rotulagem. O subsecretário de Saúde do México, Hugo López Gatell, classificou os refrigerantes de “veneno engarrafado”, e os fabricantes de bebidas açucaradas reagiram: disseram estar sofrendo “estigmatização” por parte do governo.

As medidas não se restringem às gôndolas e se estendem à educação pública, que incorporou uma nova disciplina obrigatória no currículo de todos os níveis: “Vida Saudável”.